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A Lendária Guitarra do Slash: Como Ter Esse Timbre.

Gibson Slash Les Paul Standard, November Burst. 

Foto: Reprodução / Gibson

Quando pensamos nos maiores solos do rock, a imagem de uma cartola, uma cabeleira cacheada e uma Les Paul inclinada vem direto à mente. A guitarra do Slash é quase tão famosa quanto o próprio músico, mas a história por trás desse instrumento esconde uma grande reviravolta que muitos fãs nem imaginam.

Neste artigo, vamos descobrir como essa parceria nasceu, os segredos do hardware e as dicas fundamentais para você aproximar o seu setup do som do mestre do Guns N’ Roses.

A história por trás do mito: Não era uma Gibson!

No início da carreira, Slash usou modelos da B.C. Rich (como a Mockingbird) e até réplicas de Stratocaster. Porém, o grande marco aconteceu em 1986, durante as gravações do álbum Appetite for Destruction.

Frustrado com o som de suas guitarras no estúdio, o empresário do Guns N’ Roses conseguiu para ele uma Les Paul clássica com acabamento flamed maple. O detalhe histórico? Aquela guitarra do Slash não era fabricada pela Gibson.

Tratava-se de uma réplica artesanal perfeita construída pelo luthier Kris Derrig. O som daquela cópia salvou o disco e definiu a identidade do guitarrista para sempre, fazendo a própria Gibson procurá-lo anos mais tarde.

O hardware da máquina principal

A famosa réplica de 1959 estabeleceu o padrão que o músico carrega até hoje em seus palcos. O coração do hardware dessa famosa guitarra do Slash se resume a três pilares:

  • Madeira pesada: Corpo em mogno maciço com tampo de jacarandá/flamed maple, garantindo o sustain infinito que ouvimos em Sweet Child O’ Mine.
  • Captadores Seymour Duncan Alnico II Pro: Captadores humbuckers de saída moderada. Eles entregam um som quente, aveludado no braço e com aquele “mordido” clássico de médios na ponte.
  • Braço com perfil 50s: Um braço mais robusto e anatômico, que ajuda na pegada e na sustentação das notas nos bends longos.

Modelos Signature: Da réplica ao topo da Gibson

Após o sucesso mundial, a Gibson transformou a parceria em algo oficial. Hoje, a marca possui a Slash Collection, que inclui modelos produzidos tanto pela linha principal da Gibson quanto pela Epiphone (uma alternativa excelente e mais acessível para os estudantes).

Os modelos variam desde a icônica Appetite Amber (que homenageia a guitarra de 1986) até versões como a Goldtop e a Vermillion, todas mantendo os captadores Alnico II e as especificações de braço exigidas por ele.

epiphone-les-paul-special-II-slash-afd-signature
Epiphone Les Paul Special II Slash AFD Signature. 

Fonte:  Reprodução / Royal Music

Como chegar ao timbre do Slash no seu setup

Você não precisa gastar uma fortuna  para se aproximar do som do Guns. Com algumas regulagens inteligentes no seu equipamento atual ou em plug-ins de áudio, você chega lá:

  1. A Chave Seletora é sua aliada: Para solos rápidos na região aguda (como o final de Paradise City), use o captador da ponte. Para solos melódicos e encorpados (November Rain), mude para o captador do braço e feche levemente o botão de tonalidade da guitarra (entre o 7 e o 8).
  2. Ganho na medida (Crucial): O timbre dele não é de metal moderno. Use uma distorção do tipo Crunch britânico (estilo Marshall). O ganho deve ser médio-alto, o suficiente para o sustain, mas sem perder a definição das notas.
  3. Equalização: Foque nos médios. Sugestão: deixe os graves no 5, os agudos no 6 e aumente os médios para o 7 ou 8. São os médios que dão o corte e a clareza no solo.
  4. Um toque de Delay e Reverb: Adicione um delay curto (em torno de 300ms) com poucas repetições e um reverb de sala (room) discreto apenas para dar profundidade espacial.

Conclusão

Conhecer a história e os segredos da guitarra do Slash mostra que o timbre icônico nasce da combinação entre a pegada forte dos dedos e a escolha certa dos médios no amplificador. Caso você já possua uma guitarra modelo Les Paul, experimente trocar a captação e optar por captadores de Alnico II. 

Existem excelentes fabricantes nacionais de captadores com preços mais acessíveis do que os internacionais de grife. Eu mesmo já realizei esse tipo de mudança em uma guitarra Giannini: substituí os captadores cerâmicos originais por captadores de alnico II da Malagoli. O resultado foi extremamente satisfatório e transformou o som da guitarra em um timbre antes impossível. 

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Boris Gregor

Guitarrista com mais de 30 anos de trajetória e professor de música desde 1998, com passagens por diversas escolas em Curitiba. Bacharel em Engenharia Eletrônica, une a experiência prática dos palcos e bandas ao domínio técnico sobre timbres, componentes e equipamentos.

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