Uma dúvida que atinge muitos guitarristas é a escolha do encordoamento ideal de guitarra. As cordas são o ponto de contato inicial entre os seus dedos e a guitarra. Elas definem não apenas o conforto da pegada, mas também a dinâmica, a sustentação e o brilho do seu som.
Se você está em dúvida sobre qual calibre escolher, quer entender as diferenças entre as marcas nacionais e importadas, ou simplesmente busca o melhor custo-benefício para o seu bolso, este artigo foi feito para você.
Entendendo os Calibres de Cordas
O “calibre” nada mais é do que a espessura das cordas, medida em frações de polegada. A escolha do calibre ideal depende diretamente do seu estilo musical, da anatomia das suas mãos e, principalmente, da afinação que você utiliza.
Nas lojas de instrumentos musicais, é comum identificar um jogo de cordas pelo seu calibre mais fino. Por exemplo: um encordoamento .009 – .042 é chamado simplesmente de “09”.
Para facilitar, preparamos uma tabela prática com as principais opções do mercado:
Calibre | Tensão / Pegada | Afinações Indicadas |
“09” (.009 – .042) | Leve e muito macia. Facilita bends e técnicas rápidas. | Afinação Padrão (E Standard). |
“010” (.010 – .046) | Intermediária. Oferece ótimo equilíbrio entre peso e flexibilidade. | E Standard ou Drop D. |
“011” (.011 – .048 ou .052) | Pesada. Exige mais força física, mas entrega um som encorpado e firme. | Meio tom abaixo (Eb) ou D Standard. |
Híbridas (ex: 0.009 – .046) | Mistas. Cordas agudas mais finas (maciez) e graves mais grossas (peso). | E Standard ou Drop D. |
⚠️ Alerta importante de regulagem
Lembre-se: mudar o calibre das cordas exige uma nova regulagem na sua guitarra. Se você usa .009 e decide migrar para .011, a tensão extra vai puxar o braço do instrumento, desalinhando a ação das cordas (altura) e as oitavas. Sempre que mudar de calibre, leve sua guitarra a um luthier de confiança ou faça a regulagem adequada no tensor e na ponte.
O Grande Debate: Encordoamentos Importados vs. Nacionais
Antigamente, existia um preconceito muito grande com as cordas fabricadas no Brasil, mas hoje esse cenário mudou drasticamente.
No início da minha jornada como guitarrista, eu costumava usar apenas encordoamentos importados. Porém, em uma ocasião lá pelos idos de 2002, resolvi experimentar um jogo de cordas da marca NIG e fiquei surpreendido com a qualidade.
Desde então, abri mão das marcas de fora e passei a utilizar exclusivamente os encordoamentos nacionais. Para te ajudar a entender e fazer a escolha certa, vamos analisar os prós e contras de cada mercado:
Encordoamentos Importados (Ex: Ernie Ball, D’Addario, Elixir, Dunlop)
- Prós: São referências mundiais de timbre. Entregam uma estabilidade de afinação impecável e ligas metálicas altamente refinadas. Marcas com tecnologia de revestimento (como a Elixir) oferecem uma película protetora que impede a oxidação por meses.
- Contras: O preço. Devido à importação e ao câmbio, um jogo de cordas importado pode custar o dobro ou o triplo de um nacional.
Encordoamentos Nacionais (Ex: NIG, SG, Giannini)
- Prós: O custo é imbatível. Além disso, a indústria nacional evoluiu muito em tecnologia. Marcas como a Solez (com a tecnologia DLP de proteção) e a SG entregam linhas premium de altíssima durabilidade que competem de igual para igual com as gigantes de fora.
- Contras: As linhas mais baratas e de entrada do mercado nacional ainda podem apresentar uma oxidação precoce caso o músico tenha um suor mais ácido (com alto teor de ácido úrico).
Análise de Custo-Benefício
Para descobrir qual é o melhor investimento, você deve avaliar a sua frequência de uso do instrumento.
- O Guitarrista Casual ou Estudante: Se você toca poucas vezes na semana e o instrumento fica guardado na capa, os encordoamentos nacionais tradicionais ou importados básicos vão te atender perfeitamente sem pesar no orçamento.
- O Músico de Banda, Professor ou Profissional: Se você passa horas tocando todos os dias, a melhor escolha são as cordas com revestimento (coating), sejam elas nacionais premium ou importadas. Embora o investimento inicial seja mais alto, o custo-benefício se paga no longo prazo, pois elas duram até 4 vezes mais do que uma corda comum, poupando o seu tempo e o trabalho de trocas constantes.
Conclusão: Experimentar é a Chave
Não existe uma “regra absoluta” na escolha das cordas. O calibre e a marca ideais são aqueles que fazem você se sentir confortável ao tocar e que entregam o som que está na sua cabeça. Se você ainda não encontrou o seu encordoamento favorito, teste marcas e tensões diferentes a cada troca.
